Pets como suporte emocional

Pets como suporte emocional

Ter um animal de estimação é ter uma companhia para todos os momentos. É cuidar de um ser sem esperar nada em troca, mas o retorno é sempre certo: muito amor e carinho. Mas além da companhia no dia a dia, estar ao lado de um animal de estimação em momentos de dor, solidão, estresse – como em viagens de avião, por exemplo – ajuda as pessoas a enfrentar os desafios da vida. Para falar sobre o assunto, entrevistamos, a psicóloga Clínica, Andréia Correia e Silva, atuante em psicogerontologia, perdas e luto e suporte emocional. Confira.

 

1. Quais são os principais benefícios dos pets para a saúde mental das pessoas?

R: São vários os benefícios de se ter animais de estimação que contribuem com a saúde mental do tutor.  Estudos mostram e eu acredito que o principal benefício é que os pets são rede de apoio emocional ao tutor e/ou família.

Nos cuidados com os pets os tutores rompem ociosidades deslocando e transformando, pensamentos e ações negativas em positivas. Por exemplo: o tutor teve um dia tenso e ao chegar em sua casa e se deparar com seu(s) pet(s), seu comportamento e pensamentos antes ruins, se transformam em amor aos cuidados com seu animal de estimação.

Quando falamos em redes de apoio/suporte emocional, imaginamos: família, rede de amigos íntimos, grupos de apoio religiosos ou não-religiosos, colegas de trabalho etc. Os pets se enquadram nesse contexto como suporte emocional, pela recíproca verdadeira nos cuidados e saúde mental.

A reciprocidade e a solidariedade entre pets e tutores está refletida no compromisso entre si de serem queridos e amados. Entre eles o papel não é só de receber, mas também prover ajuda para outros familiares, e a percepção que os tutores têm é que há equilíbrio dos recursos desprendidos em consequência da saúde de toda família incluindo os pets. Afinal, viver sozinho sem ter a quem amar ou ser amado, gera desconforto, doenças, seja em seres humanos ou animais.

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Por exemplo: uma família que tem crianças em casa, a reciprocidade de cuidados dos pets com as crianças, melhora no desenvolvimento social e intelectual da criança e do pet e torna a família harmônica e confiante quanto essa relação.

2. Quando falamos em pets, estamos querendo dizer quais animais de estimação? Cães, gatos, pássaros, porquinhos da índia etc? Explique.

R: Recentemente foi feita uma pesquisa, não lembro o ano, acredito que em 2017, o Brasil foi eleito a 4amaior população de animais de estimação: cães, gatos, pássaros de diversas espécies, peixes, e tipos exóticos (porquinho da índia, chinchila), pois sabemos e estudos comprovam que eles auxiliam na cura de doenças do corpo, mente e alma.

3. Em caso de pessoas com doenças psiquiátricas que demandam um tratamento específico, com uso de medicamentos e rede de apoio para compreensão, como os pets podem contribuir no tratamento?

R: Costumo dizer que ter um animal como suporte emocional, faz com que o tutor torne consciente seus projetos de vida pessoais e profissionais pois tem seu pet para cuidar, amar e o impulsionar a atingir seus objetivos.

É comum pacientes declararem que a vida deles antes do pet estava preto e branco, e que quando conheceram um amor que não imaginavam ter por animais de estimação, a vida a cada dia é mais colorida e mágica.

 

 

4. Em quais situações os pets podem colaborar com o suporte emocional das pessoas? Cite exemplos.

R: Perdas e lutos, eventos contínuos de perdas de entes queridos, familiares ou não, empregos, separações conjugais; Ansiedade e depressão. Os pets contribuem no equilíbrio emocional e físico do tutor. Ajudam no desenvolvimento e rendimento escolares de crianças e adolescentes. Em casos de isolamento social, em qualquer idade e condição social, é comum em pessoas que moram sozinhas e adotam um pet para cuidar. Na terceira idade, onde a pessoa idosa desprende cuidados dedicados aos animais de estimação. E até em viagens de avião, o tutor fica tranquilo com seu pet no colo, pois está no campo de visão e contato físico, então o mantém equilibrado nas emoções.

5. Viagens aéreas podem afetar a saúde mental de muitas pessoas. É verdade que é possível viajar de avião com o pet como suporte emocional? Em quais situações isso é possível?

R: Sim, é verdade que tutores que são assistidos por psicólogos e/ou psiquiatras, podem viajar com seu pet como suporte emocional no avião.

6. Como as pessoas com doenças psiquiátricas lidam com a morte do seu pet? Qual a orientação dos psiquiatras/psicólogos nesse momento?

R: O ser humano não é educado para a morte. Na cabeça do ser humano o morrer para quem fica é um buraco infinito, preenchido de rejeição sem ter como mudar a situação, é onde os complexos de culpa se instalam, os “se eu tivesse” se manifestam decorrentes dessa culpa, o mergulho de “eu poderia ter feito assim, talvez ela(e)”. Não existe uma fórmula mágica para que a pessoa se isente de sentimentos, sensações, percepções frente a morte do seu objeto de amor, seja ele humano ou pet.

Nesse momento de profunda tristeza e vazio, o apoio de um profissional da saúde mental seja psicólogo ou psiquiatra, auxiliam no enfrentamento desse sofrimento, ajudando o tutor a ressignificar a vida. A dor se manifesta de forma individual para cada pessoa, e não importa qual a perda que essa pessoa está vivendo, o que importa para nós da saúde mental é cuidar desse sofrimento manifesto.

7. A companhia de um pet substitui a companhia de uma pessoa? Explique.

R: Existem as diversas formas de amor, as diversas formas de amar, resumindo em diversas formas e jeitos de cuidar. A companhia de um pet eu acredito que pode ser substituída em momentos da vida da pessoa, mas não substitui pessoas do dia a dia do ser humano. Por exemplo, uma pessoa idosa que mora sozinha e dedica seu tempo aos cuidados com seu animal de estimação (cuidados com alimentação, higienização, companhia ao assistir TV ou estar na varanda, ou no parque etc.), mas quando necessário o idoso ter seus cuidados e responsabilidades sociais, a companhia de outra pessoa não é substituída pela do pet.

 

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24 de maio de 2019 / por / em ,

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