Seu pet está se alimentando da maneira adequada?

Seu pet está se alimentando da maneira adequada?

Você está acostumado a dar sempre a mesma comida para seu pet? Saber em qual fase de vida o animal está – filhote, adulto ou idoso – ajuda na escolha da melhor ração. Assim como ficar atento às condições físicas do animal, se está obeso ou magro demais, com dores ou alergias também são questões que podem estar relacionadas à alimentação e podem e devem ser adequadas conforme a necessidade. Para falar sobre o assunto, entrevistamos, abaixo, Adelmo Guilhoto Miguel, veterinário na Clínica Espaço Veterinário em Sorocaba. Confira:

 

1 – Quais são as principais situações ou momentos que necessitam da mudança da alimentação de cães e gatos?

Pacientes com problemas renais e cardíacos necessitam de uma dieta com baixo teor de sódio e fósforo. Cães diabéticos necessitam de carboidratos de liberação lenta para evitar picos de glicemia. Também existem dietas específicas em casos de doenças hepáticas, intestinais e urinárias. Para os cães saudáveis, recomenda-se basicamente um alimento específico para a fase de crescimento, outro para a fase adulta de manutenção e uma terceira dieta com características nutricionais diferentes para os cães idosos. Determinar o fim da idade de crescimento e o início da idade adulta, bem como o fim da idade adulta e o início da geriátrica não é simples, já que, quanto menor o porte dos cães, maior é a sua expectativa de vida e, por consequência, mais tardia será a sua fase idosa. Por exemplo, um pinscher tem expectativa média de vida de aproximadamente 16 anos e entra na fase adulta por volta dos 10 meses e na fase idosa por volta dos 8 anos. Já um são bernardo tem expectativa média de vida de, aproximadamente, 8 anos e entra na fase adulta por volta de um ano e meio e na fase idosa próximo dos 5 anos.

 

2 – A obesidade é uma dessas situações? Somente a mudança da alimentação é o suficiente? Explique.

Sim. No caso da obesidade, a mudança na alimentação é muito importante. Recomenda-se, nessa situação, uma alimentação com alto teor de fibras para aumentar a sensação de saciedade do pet e diminuir a quantidade de alimento ingerido. Além disso, a dieta deve conter menor quantidade de carboidratos e lipídios. Porém somente a mudança alimentar não é o suficiente para se resolver a questão da obesidade. O combate ao sedentarismo no pet obeso através de exercício físico moderado é uma medida essencial para uma perda de peso saudável e eficaz.

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3 – A alimentação também pode ser responsável por diversas alergias. Como descobrir se a alimentação é a responsável? E o que fazer? Explique.

De maneira geral, existem dietas específicas com fontes diferenciadas de proteínas e carboidratos chamadas de rações hipoalergênicas. Na prática, oferecemos o novo alimento ao pet por um período de 2 a 3 meses e através da observação positiva da melhora no paciente podemos concluir se estamos lidando ou não com um caso de alergia alimentar. Mais recentemente esta pesquisa das causas alérgicas ganhou um aliado importante já que muitos laboratórios oferecem um exame sanguíneo que detecta os componentes alimentares que causam a alergia. Através desse exame, o veterinário pode escolher os alimentos menos reativos ao paciente. Isso tem melhorado muito a eficiência nos tratamentos das alergias e reduzido muito o tempo de diagnóstico destas doenças.

 

4 – Cães e gatos em idades específicas, como filhotes e idosos, também precisam ter uma alimentação específica? Explique como é.

Cães e gatos possuem fases relacionadas a mudanças de metabolismo em que as necessidades nutricionais se alteram drasticamente. A primeira delas, quando se encerra a fase de crescimento e reflete em uma ingestão calórica menor. Do nascimento até o 5º mês de vida, um cão chega a dobrar de peso de um mês para o outro. Para obter tal façanha, os cães necessitam de um alimento de alto grau calórico e rico em vitaminas e minerais que atendam todas as necessidades metabólicas. A partir dos 10 meses nos cães de pequeno porte e de um ano e meio nos cães de grande porte, os cães atingem a idade adulta, por isso, necessitarão de um aporte calórico somente para a manutenção do peso corporal e não mais para o crescimento e ganho de peso. Já os idosos são mais sedentários, possuem tendência a hipertensão arterial, doenças cardíacas, renais e articulares. As rações são formuladas nessa fase com o objetivo de fornecer um aporte em todas essas situações. Para isso, formula-se alimentos menos calóricos, com proteínas e aminoácidos essenciais ao bom funcionamento cardíaco como a taurina para os gatos e elementos que ajudam na saúde das articulações como o sulfato de condroitina e as glucosaminas, além de conter menor teor de sal, auxiliando na manutenção da pressão arterial.

 

 

5 – Existem momentos em que é necessário optar por uma alimentação natural para cães e gatos? Quais e por quê?

A alimentação natural é uma opção interessante em qualquer fase da vida dos pets. Possui benefícios desde que formulada e balanceada por um nutricionista veterinário e oferecida aos pets em quantidade adequada. Não devemos radicalizar ou condenar as rações extrusadas e os alimentos naturais visto que existem vantagens e desvantagens para os dois. Na prática, costumo indicar alimentação natural para cães com problemas específicos como a alergia alimentar e cães com problemas renais, urinários e cardíacos que não se adaptam ao alimento convencional. Vale lembrar que a expectativa de vida dos cães quase que dobrou com o advento das rações extrusadas balanceadas e muitas doenças nutricionais como a deficiência extrema de cálcio que possuíam grande casuística nas clínicas, praticamente se extinguiram. Por outro lado, a alimentação natural tem maior aceitação por parte dos pets e por ser formulada com ingredientes frescos contribui com a saúde geral dos pets a médio e longo prazo.

 

6 – Uma alimentação inadequada pode causar doenças para cães e gatos? Como descobrir que isso está acontecendo com seu pet? 

O conceito de imuno nutrição diz que todo o funcionamento e eficiência do sistema imunológico do paciente está intimamente ligado à boa alimentação. Ingerir aminoácidos, vitaminas e minerais em quantidade e qualidade adequadas vai viabilizar a produção de anticorpos no organismo, essencial para o combate de doenças. Pesquisas comprovam que a má alimentação a médio e longo prazo provocam graves quadros de imunossupressão nestes animais resultando em maior predisposição a doenças oportunistas. Doenças dermatológicas e infecções recorrentes, escore corporal alterado, quadros de anemia são alguns sinais de má nutrição. Deficiência de vitamina A pode levar a graves quadros de sinusite e pneumonia. Deficiência de vitamina E causam problemas reprodutivos como infertilidade e abortos. Através do exame clínico o veterinário poderá identificar e corrigir as falhas nutricionais em cada paciente.

 

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14 de abril de 2020 / por / em ,

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