Ter um animal de estimação faz bem?

Ter um animal de estimação faz bem?

Sim, sem dúvidas. A companhia de um animal de estimação ajuda as pessoas a enfrentar os momentos difíceis da vida que, querendo ou não, um dia vão ter que passar. O pet dá carinho e amor de forma genuína. Mas lembre-se que, em troca, é preciso cuidar do bem-estar do animal, alimentação e saúde. Para falar sobre os benefícios de ter um pet, entrevistamos Andréia Correia e Silva, psicóloga Clínica, atuante em perdas e luto, e suporte emocional. Confira.

 

1 – Ter um animal de estimação faz bem à saúde das pessoas?

Sim, para todos os tipos e idades de pessoas. De acordo com uma pesquisa do International Stress Management Association (ISMA – Brasil), 70% dos brasileiros sofrem com estresse. No mundo, esse número, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), é ainda maior, podendo chegar a 90% das pessoas.

O estresse pode ocorrer em diversos momentos de turbulência ao longo da vida das pessoas, por exemplo, a perda de um parente próximo, notícia de doenças, separação conjugal, mudanças ocasionadas pela perda de emprego e crises financeiras, violência urbana, alterações na rotina, entre outros fatores.

E nesses momentos de crises, o animal de estimação ajuda os tutores no enfrentamento da situação e no controle das emoções.

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2 – Quais são os principais benefícios em ter um animal de estimação tanta para a saúde física como para a saúde mental?

O amor e a amizade entre seres humanos e animais geram inúmeros benefícios. Os animais de estimação são capazes de contribuir com o controle emocional em casos de ansiedade e depressão, controle das emoções de portadores de autismo, controle de emoções de portadores de déficit cognitivo, entre outros. Ou seja, esses animais de estimação, devido ao convívio intenso e constante, proporcionam conforto e segurança simplesmente por estarem presentes, junto da pessoa.

Quando falamos em saúde física, o tutor se vê na obrigação de cuidar da vida diária e ter disciplina com seus bichinhos. Então, tem que por comida e água, cuidar da higiene do local em que ele dorme e se alimenta; levá-los para caminhada diária; e dar banho ou levá-los no pet para o banho.

Diversos estudos têm demonstrado que atividade física melhora e protege a função cerebral, sugerindo que pessoas fisicamente ativas apresentam menor risco de serem acometidas por desordens mentais em relação às sedentárias: melhora as condições cardiorrespiratórias, aumento da densidade mineral óssea e diminuição de riscos de doenças crônico degenerativas etc. E tudo isso na melhor companhia.

 

 

3 – O cão é o melhor amigo do homem? Explique.

A literatura mostra que, entre 33 e 14 mil anos atrás, teve início uma história de amizade que mudaria, para sempre, a jornada do homem e de seu fiel companheiro na terra.

Entre lobos selvagens e os cães que foram domesticados e desde então não abandonariam os humanos, acompanhando-os por todos os lugares, na colonização do globo.

Não se sabe ao certo os motivos da reciprocidade entre as espécies, mas deduz-se que na teoria mais aceita até hoje, diz que os primeiros cães domesticados eram lobos que se aventuraram nos assentamentos humanos para se beneficiar dos restos de alimentos. Os homens pré-históricos por sua vez, tiravam proveito dessa aproximação, e se beneficiavam com a proteção e companhia para caça.

A aparência dos bichos passou a evoluir como se fosse para adequar ao reconhecimento de genes ao comportamento dos humanos, ganhando características como redução do tamanho da cabeça, olhos e orelhas caídas e rabo abaixado, entre outras. O que conferiu a eles um aspecto de eternos filhotes e, por consequência, nada ameaçadores. Os comportamentos, por influência tiveram coabitação, passaram a viver em comum, com humanos e sofreram alterações.

Acredito sim que sejam o melhor amigo do homem. Nos deixam felizes pelo seu amor e carinho, são sempre receptivos com entusiasmo quando chegamos em casa e são sim os melhores companheiros de todas as horas. Fazem parte da família.

O mais incrível de toda a história é que a própria natureza se encarregou e encarrega de preparar a espécie para que cuide do ser humano. Sim, na minha opinião, é o melhor amigo do homem.

 

4 – Cuidar e ter a companhia de um animal de estimação ajudam a combater doenças como a depressão?

Vamos compreender o que é depressão.  Segundo o médico psiquiatra Primo Paganini, a depressão é uma doença cerebral inflamatória, crônica, que evolui em surtos/episódios, caracterizada por uma disfunção celular que impede a performance cerebral adequada, de modo a reduzir os níveis de energia, as capacidades cognitivas (memória, concentração, raciocínio, foco e atenção) e as funções emocionais (que passam a ser de difícil controle devido ao excesso de impulsividade que ocorre). E os impactos acontecem em todos os aspectos: vidas social, afetiva, familiar e profissional.

Há tanto sintomas físicos quanto psíquicos, e essa noção é importante, pois indica que o tratamento primário deve envolver psicofarmacologia e psicoterapia.

Paganini diz ainda que o estresse crônico causa ansiedade e depressão, e cada uma dessas condições perpetua a outra. O estresse, que é o excesso de cortisol, vai lesando partes do cérebro que produzem as substâncias químicas naturais que controlam a ansiedade e depressão.

O estresse altera as substâncias químicas e o funcionamento cerebral porque a hipófise faz a adrenal produzir o cortisol, o hormônio do estresse em volume excessivo, predispondo o cérebro biologicamente à depressão.

Como a medicação pode levar até três meses para começar a trazer efeitos terapêuticos, e o paciente não terá energia para quaisquer atividades – há pacientes que não tomam banho e não escovam os dentes, por exemplo. Outras atividades sendo físicas ou emocionais, como cuidados com pets antes desse período elevam a culpa dos pacientes. Sendo assim, o recomendado em casos de depressão moderado a severo é aguardar a ação benéfica das medicações para propor ao sujeito cuidados para com outra vida.

Como terapeuta e credora de métodos preventivos, acredito que ter animais de estimação no decorrer da vida é sim importante para saúde mental.

 

5 – Os cuidados que os animais de estimação necessitam não podem gerar mais estresse em seus donos? Explique.

Cuidar de animais de estimação é cuidar de vidas que de acordo com seu desenvolvimento tem necessidades diferenciadas.

Penso que uma pessoa que deseja desprender de amor, carinho, compreensão com outra espécie deve ter em mente que sua rotina vai mudar e que a adaptação, adequação e história de vida de ambas vão se transformar. E, às vezes, mudanças doem, ou geram desconforto. Acredito que é nesse momento que o tutor precisa procurar ajuda profissional para lidar com as mudanças e transformações.

 

 

6 – Quais os benefícios para as crianças e idosos, especificamente, em ter um animal de estimação?

Crianças que convivem com animais de estimação têm menos estresse, desenvolve mais atividades físicas, desenvolve afetividade e se sentem mais estimuladas para os estudos.

Melhoram o desenvolvimento motor e cognitivo, além da inteligência social. Em diversas condições de limitação do desenvolvimento da criança, os animais podem ajudá-las a superar dificuldades e obstáculos.

As crianças que interagem com animais de estimação e os acariciam podem ter menos resfriados, problemas de estômago e dores de cabeça. Além disso, as crianças se recuperam mais rapidamente de outras doenças.

Já para os idosos, os animais de estimação contribuem positivamente nessa interação dos recursos sociais, estimulando comportamentos de cuidado, satisfação, alegrias, alívio de estresses e tristeza. Isso porque a relação exige disciplinas, que muitas vezes, os idosos não seguem por estarem sob cuidados de terceiros ou familiares.

Acaba se tornando uma motivação a mais para cuidar de si, o que eleva, também, a autoestima. Afinal, é necessário estar bem para cuidar do pet. Passeios diários com cães são ótimos para a socialização. Há sempre quem pare para conversar, mostrar fotos do animal, trocar informações sobre a raça e a alimentação. Isso traz a oportunidade para que o idoso crie novos vínculos sociais.

 

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27 de fevereiro de 2020 / por / em ,

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