Vou viajar – o que faço com meu gato?

Vou viajar – o que faço com meu gato?

É sempre difícil ficar longe do seu animal de estimação, mas, em alguns momentos, não há outra forma. Quando os donos vão viajar e precisam escolher aonde deixar seu gato, que são muito territorialistas, normalmente optam por deixá-lo em casa por ser um lugar seguro e conhecido pelo animal. Para falar sobre o assunto, entrevistamos, abaixo, Gabriel Mora de Barros, veterinário do Grupo Vet Popular (www.vetpopular.com.br). Confira a entrevista.

 

1-Ao ir viajar, é melhor deixar o gato em casa e uma pessoa ir cuidar dele ou levá-lo? O que deve ser levado em consideração nesse momento?

R. Os gatos possuem comportamentos muito peculiares e individuais. E na hora de decidir sobre isso é importante pensar com relação ao estilo de vida do seu animal e suas reações do dia-a-dia. Pensando numa maneira geral, os felinos são territorialistas e apresentam uma certa dominância perante o seu lar. Por isso, é muito mais provável que o gato se sinta mais confortável se ficar no seu próprio espaço, recebendo comida de um “estranho” do que ter que ir até um local diferente, principalmente se existirem outros animais no recinto. Obviamente existem gatos que gostam mais da socialização do que outros, permitindo que fiquem tranquilamente bem em ambiente diferente, com pessoas diferentes e quiçá animais diferentes, mas na maior parte das vezes, a opção de pedir para um amigo ir dar comida diariamente na própria casa do gato, é a melhor opção.

 

2 – Ao optar por deixar o gato em casa, quais são os cuidados que devem ser tomados?

O gato que fica sozinho na casa dos tutores em épocas de festas ou de viagens, precisa receber a mesma atenção quando comparada a rotina da família. Os felinos se adaptam ao dia dos tutores e acabam criando uma rotina própria. É muito provável que eles estranhem que a família esteja demorando para chegar ou que a casa está muito silenciosa, mas acredite, ele vai se adaptar tranquilamente até a sua chegada. O mais importante de tudo é se programar para que seu animal tenha disponível em tempo integral água e comida à vontade. Lembre-se sempre de espalhar pela casa potes de alimento e de água. Caso você tenha o costume de deixar apenas um pote de cada, cogite a ideia de deixar um na cozinha, um na sala e um no quarto. Já imaginou o único pote de água disponível do gato virar de ponta cabeça e ele ficar sem conseguir beber? Se existirem outros potes, ele ainda terá de onde se hidratar. Além de água e comida, a família tem que se certificar que a caixa sanitária está acessível e que o felino possa ir livremente entre um ambiente e outro para que continue exercendo sua característica desbravadora e curiosa e, pedir para que algum conhecido confiável vá até o local diariamente para trocar a água disponível, completar os potes de ração e limpar a caixinha sanitária.

Publicidade

 

3 – E ao decidir por levá-lo viajar? Cite quais os cuidados que devem ser tomados.

Quando optamos por levar nosso gato em viagens, precisamos nos certificar que ele está em segurança dentro de uma caixinha de transporte. A caixa de transporte deve ter um tamanho suficiente para que o animal possa virar para todos os lados, deitar e descansar ao longo do estressante percurso. Quando o animal não está acostumado a ficar solto em ambiente diferente, não é recomendado que ele fique fora da caixinha. Existem histórias de animais que ficaram soltos nos carros enquanto a família viajava e apareciam subitamente atrás dos pedais do motorista, colocando todos dentro do carro em situação de perigo. Hoje em dia existem feromônios (substâncias que ativam a sensação de bem-estar e conforto nos felinos) em spray que podem auxiliar bastante os tutores dos gatos. Ao borrifar o produto dentro da caixinha (enquanto o animal ainda não está) e no carro, pode deixá-lo mais confortável durante o percurso.

Fazer carinho e deixar a mão da pessoa (que o gato mais tem afinidade) perto do animal, irá deixá-lo mais calmo e menos apreensivo. Aquelas viagens com bastantes pessoas, barulhos altos como o de som, podem deixar o animal nervoso e agitado. Nos aeroportos, a maior parte dos gatos consegue ir junto do tutor, pois são animais de pequeno porte. As ações comentadas acima também podem ser feitas, para evitar sempre o estresse desse bichano durante o voo.

Nunca se esqueça de certificar-se que o local para onde a família está indo aceita a presença de felinos. Há locais que proíbem animais e será uma surpresa muito desagradável se receberem essa notícia inesperadamente. Além disso, checar se existe segurança no local.

4 – Ao levar o gato para um outro ambiente, quais são as chances dele fugir? O que deve ser feito para garantir a segurança do felino?

Os felinos reagem a estímulos instintivos e normalmente a gente nunca espera a maneira como eles podem reagir a determinadas situações. Infelizmente é comum ouvir de famílias que os animais fogem quando se sentiram ameaçados e depois fica praticamente impossível de encontrá-los. Quando os gatos ficam em um território fixo, eles acabam criando alternativas para sair do local e conseguir retornar em segurança, porém em ambiente estranho, tudo fica mais difícil. O cuidado deve ser redobrado todas as vezes que o animal sair da caixinha de transporte, checando se existe possibilidade de fuga, como janelas e portas abertas. Às vezes, devido ao medo, o animal sai correndo e não conseguimos acompanhar na velocidade, perdendo-o de vista. Para que você se sinta mais seguro, inspecione o local que o animal vai ficar e se pergunte: “se ele quiser fugir, ele consegue sair por aqui?”. Se a resposta for “sim”, antes de soltá-lo, obstrua a passagem desse local para garantir que não haverá surpresas desagradáveis.

 

5 – E ao ficar em casa, o gato sente saudades do dono? Como amenizar? O que pode e deve ser feito para que o gato não sinta tanto a falta do dono?

Sentir falta do dono é algo que sempre acontecerá. Não somente do dono, mas da rotina da casa. Tudo que é diferente fica mais fácil do gato notar e de apresentar comportamento diferenciado. A distração é algo que conseguimos fazer para amenizar esse possível sofrimento de distância do tutor. Brinquedos novos, pequenas mudanças nas posições das coisas na casa, petiscos saborosos e saudáveis, são alternativas para deixar esse gato distraído e se incomodar menos com a realidade da “saudade”. Os feromônios mencionados acima também podem auxiliar a manter o gato mais confortável e tranquilo.

 

6 – Existe um tempo médio que o gato consiga ficar longe do dono sem sofrer? Comente

Esse é um tema muito específico. Vai variar da rotina de cada família e do costume de cada animal. Existem gatos que ficam a maior parte do dia sozinhos, pois os integrantes da família trabalham o tempo todo. Esses animais sentirão muito menos do que aqueles que ficam com companhia 24h por dia. Os animais que sempre tem companhia, podem se sentir solitários e podem apresentar comportamentos antes não percebidos. Por isso, caso a família opte por viajar por um período maior e o felino nunca ficou sozinho, tente pedir ajuda de algum amigo, para que faça companhia ao animalzinho em pelo menos uma parte do dia, diminuindo assim a ansiedade da solidão. Quando a viagem acabar e a família voltar para casa, o gato pode apresentar comportamento diferenciado, pois a rotina dele vai mudar novamente. Às vezes eles ficam mais isolados que o de costume, ou ficam mais sociáveis. Mas essas alterações comportamentais são esperadas nesses casos.

 

7 – A opção de deixar o gato em um hotelzinho deve ser levada em consideração? Em quais situações? Explique.

Pensando exclusivamente no comportamento da maioria dos gatos, essa seria a última opção para quem tem esses bichanos – é óbvio que devem existir gatos que amam ficar no hotelzinho para interagir com outros animais e em outros ambientes, mas a maioria não se permite tão facilmente. Diferente do cão, o gato tem mais receio em ficar num local em que não conhece, pois ele não sabe onde poderia se esconder em uma situação de “perigo”. É comum observarmos que os gatos analisam o local e procuram espaços reservados e profundos para poderem entrar e se sentirem seguros.

O estresse gerado no gato nesses casos pode até gerar situações de enfermidades. Portanto, avalie muito bem o seu animal antes de tomar essa decisão. Certifique-se que a situação de saúde do animal está boa e que as vacinas e remédios para vermes estejam ainda válidos com um(a) médico(a) veterinário(a) de confiança, pois em hotéis de animais, pode existir a possibilidade de transmissão de doenças.

Sempre que houver a disponibilidade de alguém ir cuidar do seu gato na sua casa, escolha essa opção. Caso contrário, você precisará escolher um hotel que você acredite que seja a “cara” do seu gato. Ninguém melhor que o próprio dono para encontrar um lugar para o gato passar as férias. Escolha sempre o mais aconchegante, que tenha um espaço para que ele possa se esconder, que tenha caixa de areia individual e frequentemente limpa, que tenha potes de comida e de água próximos e que seja seguro. Hoje em dia, em alguns hotéis existe a possibilidade de acompanhar o animal por câmeras, deixando os donos sempre tranquilos ao ver o animal comendo, dormindo e brincando.

 

Gostou das informações? Continue nos seguindo aqui e nas redes sociais do e-animals!

Compartilhe:
29 de dezembro de 2019 / por / em ,

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *